Me lembrei do poeta. “De repente, não mais que de repente...” uma coisinha invisível bagunçou a nossa vida muito depressa e com grande impacto, o que nos fez sentir perdidos num primeiro momento. Não que não estejamos ainda, mas com o tempo (longo), e devagar, fomos mudando nossa rotina. Depois de feitas e desfeitas as coisas costumeiras, começamos a mexer em gavetas, revendo fotos e cartas antigas. Revisitamos antigos sonhos cheirando a naftalina para ocupar o tempo, ainda desnorteados. Muito tempo... Dá para refletir, e refletir, e refletir. Para mim, o que importa agora é diferente do que importava antes. Para muitos de nós, valores como família, amigos e o planeta como um todo (meio ambiente e o imenso número de desvalidos), tiveram seu peso aumentado. A minha tão planejada reforma da cozinha ficou lá no fim da lista, junto com o sapato novo que, aliás, ...
Minha mãe tem 91 anos, tem Alzheimer e é cadeirante, porém, é muito divertida. Passa o dia inteiro folhando revistas, vendo lugares e pessoas bonitas, isso lhe deixa super contente. Ela não se recorda dos nomes dos filhos, mas sente que são seus. Parece-me que vive com seus 40 anos pois, como toda italiana, se falarmos sua idade correta, somos xingados. Não se recorda do presente, mas sim, do passado. Tudo isso é fase da vida e do distúrbio neurológico. O mais importante, porém, foi a convivência com ela, a calma para respondê-la prontamente a todos os instantes, sentar ao seu lado e assistir desenhos animados - que ela tanto gosta -, cantar músicas antigas... Enfim, não tem preço estar com nossos pais . Cresci muito nesses 100 dias , aprendi mais sobre o respeito, a dedicação, a alegria, a confiança. Autora: Márcia Regina.